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 Psicóloga Luciana Nunes
 Diretora do Instituto Psicoinfo
 Responsável por este Portal

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 ANSIEDADE


 Artigos

· O que é ansiedade?

· A ansiedade em diversas formas

· Você não está só! Entenda como os transtornos de humor/depressão e ansiedade são considerados as doenças do próximo milênio.

· Perfil de quem sofre de ansiedade e depressão.

· Mas como o pão de cada dia pode influenciar a mente humana?

· A ansiedade, por exemplo, é uma emoção normal que nos alerta para situações novas ou de perigo.

· A perda de referências no mundo atual contribui também para os transtornos de humor/depressão e ansiedade.

· A solidariedade remete à existência de uma mente coletiva, capaz de influenciar o modo de vida de uma sociedade.

· Transtornos emocionais tem tratamento!

· Se informe sobre o tratamento farmacológico.

· Falando abertamente sobre a ansiedade.

· Viver em um mundo ameaçador pode ser um sinal de ansiedade generalizada.

· O pânico vem como uma onda imensa, cheia de sintomas físicos e emocionais. Leia sobre Transtorno de Pânico.

· Imagens e idéias repetitivas colocam a pessoa que sofre de TOC em um ciclo ansioso interminável.

· Ioga, meditação, exercícios. Veja como essas atividades colaboram no tratamento de transtornos de ansiedade.

· Por que sofro de ansiedade?

· Dicas para combater problemas emocionais.


























O que é ansiedade?

      A ansiedade é um estado caracterizado pelo medo, apreensão, mal-estar, desconforto, insegurança, estranheza do ambiente ou de si mesmo e muito freqüentemente a sensação de que algo desagradável pode acontecer. Como se não bastasse a ansiedade também vem acompanhada de sinais somáticos como : sensação de falta de ar, respiração curta, aperto no peito, ondas de calor, calafrios, formigamento, tremores, náusea.

      O quadro para quem sofre de ansiedade é muito desagradável, motivo pela qual a ansiedade patológica mobiliza tanto o comprometimento social da pessoa.

      A ansiedade pode ser causada por uma fragilização da estrutura emocional, mas também pode ser relacionada ao uso de medicamentos como: anticolinérgicas, antipsicotrópicos em altas doses, estimulantes, hormônios e até por antidepressivos no início do tratamento. Até mesmo ansioliticos podem levar a reação paradoxal em crianças e idosos, com quadro de grande agitação e ansiedade após tomar o medicamento.

      Existem também casos de ansiedade associada a condições médicas. A ansiedade pode fazer parte de um quadro de sintomas do infarto do miocárdio, asma brônquica, prolapso da válvula mitral e da hipoglicemia. Importante ressaltar que tem que haver sempre a exclusão destas causas clínicas para que o quadro de ansiedade seja propriamente tratado.

      Existem vários tipos de transtornos da ansiedade, faça o questionário e envie para uma avaliação individual do seu caso.



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A ansiedade em diversas formas

      - Medo intenso, persistente e irracional de andar de avião ou de ver uma cobra no Zoológico.

      - Medo de ir ao jogo de futebol, elevador ou estação de metro por não ter como escapar ou fugir caso aconteça algo.

      - Ataques súbitos de pânico como se tivesse tendo um infarto!

      - Pensamentos e comportamentos repetitivos como os de lavar as mãos , verificar fogão ao sair de casa, contar os carros que passam etc.

      - Quando a ansiedade se torna um meio de se ver a vida. Ela se apresenta branda , mas constante em todos os momentos da sua vida. Muito freqüentemente confundida com aquelas pessoas muito "preocupadas", que antecipam toda sorte de possíveis acontecimentos negativos e sofrem por isso.

      - Vítima ou testemunha de uma situação muito desagradável que faz com que a pessoa reviva esses momentos semanas depois com a mesma intensidade emocional do dia ocorrido.

      - Quando uma pessoa passa a viver em uma situação indesejada ou desconfortável. Nestes casos, o afastamento da situação melhora a ansiedade.



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Você não está só! Entenda como os transtornos de humor (depressão) e ansiedade são considerados as doenças do próximo milênio.

      Por mais que se tente, ninguém sente (ou talvez jamais sentirá) a dor do outro. E isso vale, principalmente, para a dor com raízes na mente humana, como é o caso da depressão e da ansiedade - dois distúrbios responsáveis pela metade (740 milhões de pessoas) das doenças mentais estimadas no mundo.

      Esses males causam um sofrimento terrível.

      Geram angústia e desespero, suas origens não são muito claras e as sensações que provocam - por mais que produzam sintomas identificáveis por um especialista - beiram o intraduzível.

      A dor causada pela depressão e pela ansiedade é diferente de uma dor de cabeça ou de uma dor decorrente, por exemplo, de um tombo: ela dói, metaforicamente, lá no fundo da alma. E o pior é que essa dor, de acordo com especialistas e com a Organização Mundial de Saúde (OMS), só tende a aumentar.

      No próximo milênio a mente vai estar mais doente do que nunca. "Os transtornos de humor proliferam como resultado de múltiplos e complexos fatores sociais, biológicos e psicológicos. Elas são respostas já esperadas de doenças físicas graves e da guerra e do trauma. Mas também de condições sociais adversas, como as altas taxas de desemprego, a educação precária e a pobreza", afirmou a OMS num relatório publicado este ano. E mais: "Nas próximas décadas tudo indica que as doenças decorrentes de distúrbios mentais e de problemas neurológicos serão ainda maiores."

      É um paradoxo.

      "Vivemos numa época que teoricamente teria tudo para ser agradável. Os avanços tecnológicos, os procedimentos médicos sem dor", afirma Cláudio Guimarães, médico do Laboratório de Neurociências da Universidade de São Paulo (USP). "E ao mesmo tempo sentimos uma sensação enorme de vazio interior." Segundo a OMS, no mundo todo há cerca de 340 milhões de pessoas com depressão ou transtorno bipolar, dois distúrbios pertencentes ao grupo das doenças afetivas (relacionadas ao humor).

      A organização estima também que uma em cada cinco pessoas vai ter depressão em algum momento da vida e que, a cada ano, devem surgir dois milhões de novos casos da doença.



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Perfil de quem sofre de ansiedade e depressão.

      No Brasil, ela atinge mais de dez milhões de pessoas. A ansiedade patológica e os transtornos decorrentes dela (transtorno do pânico, fobias, transtorno obsessivo-compulsivo) são as doenças mentais mais freqüentes. Elas acometem 400 milhões de pessoas e estima-se que 20% da população estará sujeita a um dos transtornos ao longo da vida. "A fobia social é um dos mais comuns, com uma prevalência de até 13%", diz o psiquiatra do Hospital das Clínicas, Tito Paes de Barros. Outro dado importante é o fato de que a depressão e os transtornos da ansiedade se manifestam, em média, duas vezes mais na população feminina (uma das explicações seria as alterações hormonais da mulher).

      Todos esses números dão uma importante dimensão do problema e servem como um alerta para o crescimento dessas doenças no próximo milênio. "Não dá para dizer em quanto elas vão aumentar. Mas é inegável que tanto a ansiedade como a depressão vão crescer no futuro", diz o psicólogo José Roberto Leite, coordenador da unidade de medicina comportamental da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

      Uma das razões para o crescimento é o aumento da população mundial e da longevidade. A OMS estima que em 2025 o planeta terá cerca de oito bilhões de habitantes, sendo 1,2 bilhão com mais de 60 anos. Ou seja, serão mais pessoas com doenças e por mais tempo (a depressão, por exemplo, requer tratamento por muitos anos e, às vezes, pela vida toda). "Há também maior informação sobre a depressão e a ansiedade e mais diagnósticos sendo feitos", explica o psiquiatra Ricardo Moreno, coordenador do Grupo de Doenças Afetivas (Gruda) do Hospital das Clínicas de São Paulo. Mas existem também outros fatores para explicar o aumento desses distúrbios.

      O psiquiatra paulista Henrique Del Nero, por exemplo, afirma: "A exclusão social, a incerteza e a falta de perspectivas aumentam a ansiedade e os quadros leves e moderados de depressão." Para ilustrar o que fala, ele cita uma máxima: "Na mesa do justo não há de faltar o pão. Na época em que o justo não tem pão, aumenta a depressão." E completa: "Cada vez mais está faltando pão."



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Mas como o pão de cada dia pode influenciar a mente humana?

      A depressão não é uma doença biológica com base genética cada vez mais reconhecida? É. E, assim como os transtornos de ansiedade, está relacionada a desequilíbrios de neurotransmissores (substâncias químicas responsáveis pela transmissão de informação entre um neurônio e outro) no cérebro.

      O fato é que a ciência ainda não desvendou totalmente quais são os fatores capazes de desencadear esses desequilíbrios. Sabe-se que a hereditariedade é um ponto importante, mas também sabe-se hoje que fatores ambientais como violência, falta de emprego, separação, perda, problemas conjugais, entre outros, são capazes de afetar a vulnerabilidade de uma pessoa a problemas mentais.

      Por isso, pode-se dizer que os distúrbios da mente têm, além da genética, origens biopsicossociais. São doenças que se manifestam a partir da interação do homem com os outros e com o meio em que vive. Aqui, vale lembrar que não existe ser humano fora do ambiente físico e natural nem distante de uma sociedade.

      Assim como não há peixe fora d'água. "A mente é o cérebro inserido numa cultura", resume Luiz Altenfelder, psiquiatra do Hospital do Servidor Público de São Paulo.



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A ansiedade, por exemplo, é uma emoção normal que nos alerta para situações novas ou de perigo.

      É uma reação positiva do organismo que leva uma pessoa a se preparar para uma prova ou treinar para uma competição.

      Quando essa reação é exagerada e desproporcional aos estímulos a ansiedade torna-se um problema que, além do medo e da apreensão, causa sintomas físicos, como taquicardia, sudorese e diarréia, e psíquicos, como nervosismo, tensão e dificuldade de concentração, capazes de afetar o pensamento, a percepção e o aprendizado. "Os distúrbios de ansiedade são reações do homem frente às suas vivências", diz Altenfelder.

      "O transtorno de pânico pode ser uma reação aguda a um determinado fato da vida do indivíduo. E uma fobia social, como, por exemplo, não conseguir falar em público, uma reação crônica", completa o especialista. Ou seja, por trás de um quadro ansioso pode existir uma situação de vida mal resolvida, que pode ser, entre outras, uma mudança de emprego, a perda de um parente ou a separação do marido ou da mulher.



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A perda de referências no mundo atual contribui também para os transtornos de humor/depressão e ansiedade.

      "Estamos sem bússola", constata o psicanalista Jorge Forbes. Para ele, a ansiedade decorre da necessidade (ou dever) de o indivíduo fazer algo sem ter um mapa ou roteiro para orientá-lo nessa realização. "Tínhamos uma sociedade organizada com símbolos que ofereciam uma identificação coletiva e padrões de comportamento felizes", analisa Forbes.

      Exemplos: o papel do pai dentro da família, a representatividade da pátria ou até mesmo os sistemas econômicos como o comunismo e o capitalismo. "A globalização pulverizou esses valores", diz o psicanalista. "Como conseqüência, as pessoas tiveram de se responsabilizar mais pelo que desejam. E isto gera mais ansiedade." Segundo Forbes, um dos objetivos da psicanálise é despertar o homem para lidar melhor com os seus desejos. "Hoje, temos menos bandeiras. Lutamos menos por ideais", diz o psiquiatra Luiz Altenfelder.

      Incertezas - Para o neurocientista Cláudio Guimarães, nós estamos sem pele, expostos e sedentos por certezas que a mídia, a religião, a política e a ciência não estão sendo capazes de dar. Guimarães diz que certas fases da história, como o Egito Antigo, a Grécia Clássica e a Idade Média, tinham padrões de referência que produziam uma sociedade mais estável.

      Em seu livro Ano 1000 ano 2000: na pista de nossos medos, o historiador francês George Duby ressalta que a sociedade medieval possuía uma qualidade fundamental para o bem-estar do ser humano: a solidariedade. "...assim segue o homem do ano 1000, mal alimentado, penando para, com suas ferramentas precárias, tirar seu pão da terra. Mas esse mundo difícil, de privação, é um mundo em que a fraternidade e a solidariedade garantem a sobrevivência e uma redistribuição das magras riquezas. Partilhada, a pobreza é o quinhão comum. Ela não condena, como hoje, à solidão o indivíduo desabrigado, encolhido numa plataforma de metrô ou esquecido numa calçada...", escreve Duby.



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A solidariedade remete à existência de uma mente coletiva, capaz de influenciar o modo de vida de uma sociedade.

      "O funcionamento da mente é tanto individual quanto cultural", diz Guimarães. Para o psiquiatra Henrique Del Nero a mente é um palco privado de representações onde transitam pensamentos, vontades, sonhos, memórias e sentimentos. "É um meio de realização pessoal e de comunicação com o semelhante", afirma Del Nero.

      Além de trazer um sofrimento emocional maior é certo que o aumento da depressão e da ansiedade também vai elevar os seus custos sociais. Cinco das dez principais causas de incapacitação profissional no mundo são problemas mentais. Entre eles, a depressão, o transtorno bipolar e o transtorno obsessivo-compulsivo.

      Só nos Estados Unidos os gastos (incluindo os indiretos) com a depressão chegam a US$ 80 bilhões por ano. Em 2020, a OMS prevê que ela será a segunda doença que mais roubará anos de vida útil da população (a primeira continuará sendo problemas cardiovasculares).

      Fora isso, a chance de um deprimido cometer suicídio é 35 vezes maior do que a de uma pessoa saudável. Em relação à ansiedade, um estudo feito nos EUA, publicado a partir de 1984, constatou que 68% das mulheres e 60% dos homens que tinham transtorno do pânico estavam desempregados na época e que pessoas com este distúrbio procuram atendimento médico sete vezes mais do que a população comum.



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Transtornos emocionais tem tratamento!

      Só que apesar do cenário de certa forma sombrio que se desenha para a mente no futuro, não há motivos para alimentar ainda mais uma depressão ou se confinar dentro de casa por causa de um distúrbio de ansiedade: felizmente todo o sofrimento causado por essas doenças tem tratamento.

      Uma boa notícia é o fato de que desde junho os planos de saúde passaram a cobrir a psicoterapia breve de crise (emergencial, com duração máxima de três meses) e, a partir do ano que vem, eles podem pagar internações psiquiátricas por até seis meses durante um ano.

      Entre outros recursos terapêuticos, existem remédios, que atuam no desequilíbrio químico dos neurotransmissores, e psicoterapias, que tratam as relações da pessoa com o meio e investiga os fatores estressores que agem no seu psiquismo.

      Aliado a esses conhecimentos médicos, qualquer ajuda para quem sofre da alma deve contribuir, fundamentalmente, para a erradicação de uma palavra horrenda: estigma - uma marca vergonhosa que só aumenta o preconceito e os estereótipos (como, por exemplo, achar que o deprimido é alguém preguiçoso ou fraco de caráter) em relação ao doente mental e que o faz ser rejeitado pelas pessoas "normais".

      E a importância dessa atitude está na obrigação, tanto da medicina quanto da sociedade, de - mudando um pouco os versos de Caetano Veloso - ensinar cada um a sentir menos dor e saber mais da delícia de ser o que é.



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Se informe sobre o tratamento farmacológico.

      As informações levantadas até agora estão permitindo a aplicação de novos tratamentos. Uma das novidades é o uso dos antidepressivos, principalmente para a ansiedade generalizada. Gradativamente, eles estão substituindo os benzodiazepínicos ou ansiolíticos. Na opinião do médico Cordás, os ansiolíticos causam dependência porque têm substâncias que tornam o organismo tolerante às drogas. Por causa disso, é preciso aumentar cada vez mais a dose para conseguir os mesmos efeitos do tratamento (geralmente isso é necessário em pacientes que tomam o remédio há cerca de um ano).

      De acordo com o especialista, outra vantagem é que os antidepressivos tratam a depressão que costuma surgir após intensas manifestações de ansiedade. Recentemente foi lançado o antidepressivo à base de venlafaxina. Além de atuar sobre a serotonina, como os outros medicamentos do gênero, o remédio age também na noradrenalina. "O resultado é positivo porque a droga atua sobre dois neurotransmissores envolvidos no processo da ansiedade", garante Cordás. Porém, o mais interessante é que o reinado do ansiolítico Lexotan está longe de acabar.

      Dados da Associação Brasileira da Indústria Farmacêutica mostram que a droga ocupa a quarta posição entre os medicamentos mais vendidos no País. Chega a 12 milhões de unidades por ano.



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Falando abertamente sobre a ansiedade

      Você está prestes a apresentar uma palestra. Um dia antes, fica nervoso, sente mal-estar e tem insônia. Na hora H, se esquece de tudo o que iria falar. Ou então gasta horas tentando imaginar a solução de um problema que, na verdade, ainda nem apareceu. Se situações assim acontecem com freqüência, chegou o momento de dar atenção a esses sinais. Por trás deles pode estar escondida uma ansiedade nociva e sufocante, que mina a qualidade de vida e prejudica a saúde de suas presas.

      Não se sabe exatamente quantos são os ansiosos no Brasil. Mas sabe-se que são muitos, milhões. Para se ter uma idéia, estima-se que existam pelo menos 15 milhões de brasileiros adultos padecendo dos sofrimentos mais graves relacionados à ansiedade.

      São pessoas que têm desde crises de tontura, diarréia e dor no peito até aquelas que amargam a mais completa paralisação e medo criam expectativas desnecessárias sobre os acontecimentos futuros, querem resolver as situações antecipadamente e costumam ser pessimistas. Suas preocupações são intensas, duradouras e freqüentes. E, infelizmente, embora ainda não se disponha de estatísticas brasileiras, é certo que o mal vem crescendo.

      A competição por melhores cargos no emprego e a vida pessoal atribulada são alguns dos fatores que aumentam a ânsia de quem já sofre do problema.



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Viver em um mundo ameaçador pode ser um sinal de ansiedade generalizada.

      A incidência e a gravidade dos transtornos de ansiedade, estão obrigando os profissionais da saúde a dirigir atenção especial à doença. O resultado é que há várias boas notícias no seu combate. A primeira delas é o fato de os médicos, hoje, entenderem muito melhor a natureza do mal e suas manifestações.

      Sabe-se, por exemplo, que são quatro os principais transtornos associados a ele, motivados por uma ansiedade exagerada. O primeiro deles é chamado justamente de ansiedade generalizada.

      Os sinais da ansiedade generalizada são caracterizados por crises pontuadas por taquicardia, mal-estar abdominal, tensão muscular, acompanhados de irritação e de uma imensa dificuldade para relaxar diante de situações que gerem ansiedade.

      Conseqüências - A manifestação de quatro sintomas em um semestre já caracteriza um quadro de ansiedade generalizada. Ela afeta a vida social, familiar, profissional e até o aprendizado. Muitas vezes, por exemplo, o cansaço excessivo típico de quem sofre desse tipo de transtorno impede que o ansioso sinta vontade de sair com os amigos. E a irritação acaba descontada nos familiares. No trabalho, a produtividade cai. "O ansioso tem dificuldades para se concentrar e não consegue fazer as tarefas", explica Taki Cordás, professor do Departamento de Psiquiatria da USP.

      Nos vestibulares, o problema fica exacerbado. Algumas vezes, mesmo que o candidato esteja bem preparado, ele não consegue se lembrar de nada no momento da prova. "A ansiedade prejudica o rendimento do aluno, fazendo com que ele perca parte da lucidez para lidar com o próprio saber", explica a educadora Ana Célia Clementino Moura, da comissão coordenadora dos vestibulares das universidades federais do Ceará e do Piauí.

      De acordo com a fonoaudióloga Ana Maria Álvarez, de São Paulo, o aprendizado também sai no prejuízo. "Cerca de 5% a 8% dos estudantes sofrem de distúrbios de aprendizagem relacionados de alguma forma à ansiedade", calcula. A falta de concentração e dificuldades de leitura estão entre as manifestações mais comuns dos problemas a que se refere a especialista.

      O ansioso não atrapalha apenas a si mesmo, mas os colegas também. Quando trabalha em equipe, sua ansiedade costuma prejudicar os companheiros. Ele deseja saber a todo momento como andam as coisas e faz as mesmas perguntas mil vezes. Fica afobado e prejudica o andamento do projeto. O recreador pernambucano Leonardo Ramos, 25 anos, conhece esse processo. Em janeiro, ele participou do programa No limite, da Rede Globo, no qual duas equipes disputam provas radicais e o grupo perdedor escolhia um integrante para sair da competição. Ramos foi o primeiro participante eliminado. O motivo: a afobação dele atrapalhava. "Sou movido pela necessidade de resolver tudo logo e a ansiedade é o meu maior defeito", admite.



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O pânico vem como uma onda imensa, cheia de sintomas físicos e emocionais. Leia sobre Transtorno de Pânico.

      Outro problema associado à ansiedade é o transtorno do pânico. Seus sintomas aparecem de forma brusca. O indivíduo está tranqüilo e de repente imagina que uma determinada situação é ameaçadora. Passa a ter, então, sintomas como falta de ar e tontura.

      O episódio dura cerca de dez minutos. Ele pode sentir medo de ficar sozinho em casa e, por isso, toda vez que se vê nessa circunstância, entra em pânico. As crises costumam se repetir com freqüência. Em um estágio avançado ele evita até mesmo ir ao trabalho. Os especialistas recomendam procurar o médico a partir da primeira manifestação. Seu aparecimento costuma ocorrer depois da adolescência.

      "O transtorno de pânico pode ser uma reação aguda a um determinado fato da vida do indivíduo. E uma fobia social, como, por exemplo, não conseguir falar em público, uma reação crônica", completa o especialista. Ou seja, por trás de um quadro ansioso pode existir uma situação de vida mal resolvida, que pode ser, entre outras, uma mudança de emprego, a perda de um parente ou a separação do marido ou da mulher.

      As fobias também estão relacionadas à ansiedade. São medos irracionais, exagerados e persistentes de situações, objetos, animais. Há quem tenha fobia de sangue, avião, doenças, entre outras.



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Imagens e idéias repetitivas colocam a pessoa que sofre de TOC em um ciclo ansioso interminável.

      A ansiedade também está por trás do Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC). O indivíduo tem imagens ou idéias repetidas. Ele tenta evitá-las, mas não consegue. Por isso, começa a apresentar atitudes compulsivas para afastar os pensamentos. "O paciente cria rituais como levantar-se várias vezes da cama à noite para verificar se a porta está trancada", explica a psiquiatra Kátia Oddone, coordenadora do Ambulatório de Ansiedade da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). As primeiras manifestações podem acontecer a partir da infância e se deve procurar ajuda médica.

      Alternativas - A meditação é mais um recurso excelente. Por isso, é uma das técnicas mais usadas para controlar a ansiedade. Ela se baseia em exercícios respiratórios e muita concentração. O praticante deve prestar atenção na sua expiração e inspirar normalmente. "Dessa forma, ele consegue trazer sua mente para o momento presente, já que a ansiedade está ligada a expectativas futuras", justifica Bel César, professora de meditação, de São Paulo. A atriz paulistana Marcela Ráfea, 29 anos, conseguiu controlar a sua intensa ansiedade com a técnica. "No início foi complicado porque não conseguia desligar o cérebro da tomada", conta. Atualmente, ela já medita uma hora por dia.



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Ioga, meditação, exercícios. Veja como essas atividades colaboram no tratamento de transtornos de ansiedade

      A ioga, outra modalidade indicada para aplacar a ansiedade, também aposta suas fichas nos exercícios respiratórios, além de promover o relaxamento corporal. "O objetivo é fazer com que a pessoa volte sua concentração para a sua expiração e o momento presente", explica a professora Adriana Teixeira, da academia Bioritmo, de São Paulo. "O interessante é que se pode usar esse recurso no dia-a-dia durante os momentos de maior intensidade da crise", ensina Adriana.

      Quem costuma seguir os ensinamentos dela é sua aluna Cristiane Melitto, 30 anos, assessora de marketing. "Sempre que precisava entregar algum projeto costumava ficar muito apreensiva", lembra-se. "A ioga me ensinou a ter autocontrole". Essa também foi a lição aprendida pelo ator mineiro Jackson Antunes, 40 anos, que também sofre de ansiedade. Apesar de não ser praticante da técnica, ele acredita na necessidade de educar a mente para diminuir o problema. "Descobri que é necessário haver uma transformação profunda da maneira de ser", diz. O ator tem razão. Uma das maneiras de reduzir o sufoco da ansiedade é aprender a resolver uma coisa de cada vez, focar atenção em um problema quando ele de fato acontecer e confiar mais em si mesmo.

      Exercícios - A prática de atividade física é outra forma de aplacar a ansiedade mais branda. "Os exercícios estimulam as endorfinas, substâncias que melhoram a ação dos neurotransmissores ligados ao humor", explica Cordás.

      Uma dieta saudável também é ponto precioso nesse jogo. "As verduras, legumes e frutas têm compostos que ajudam a regular os neurotransmissores envolvidos no processamento das emoções", afirma Eliane Chaves. "Quem já é ansioso também deve evitar fumar, beber e tomar café, pois os três têm compostos estimulantes que deixam a pessoa mais agitada", completa Cordás.

      Há também estratégias de emergência para serem usadas nas horas em que as crises de ansiedade parecem monstros prestes a engolir sua vítima. "Procure respirar profundamente por cinco minutos para que sua taxa de adrenalina baixe e você elimine toda a angústia", ensina a professora de ioga Adriana Teixeira. Dessa forma, é possível ter calma para enfrentar a situação sem perder o controle.



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Por que sofro de ansiedade?

      Outro avanço importante na compreensão da ansiedade é a descoberta de suas causas. É verdade que elas não estão totalmente esclarecidas, mas já há boas pistas.

      A resposta para o fato de um indivíduo ser mais ansioso do que outro pode estar no desequilíbrio entre neurotransmissores (substâncias que transmitem informações entre os neurônios) envolvidos no processamento do humor, como a serotonina, a dopamina e a noradrenalina.

      A disfunção ocorre numa região do cérebro chamada amígdala, que está ligada às emoções. Existem outras peças se encaixando nesse quebra-cabeça. Há um ano, pesquisadores descobriram uma nova substância, batizada de P, que também estaria relacionada à doença, embora ainda não se tenha mais detalhes sobre sua atuação.

      Hoje, acredita-se que a ansiedade tenha influência genética e, por isso, seja hereditária em grande parte dos casos. "Filhos de pais ansiosos têm mais chances de manifestar o problema", afirma a fonoaudióloga Ana Álvarez.

      A educação recebida pela família também é levada em conta. "Pais superprotetores e controladores fazem com que suas crianças cresçam num ambiente ameaçador", alerta o médico Bernik. Elas ficam inseguras e tensas porque estão sujeitas a ser corrigidas ou ter de prestar contas por qualquer gesto.

      A ansiedade surge como um tipo de defesa. "De maneira geral, a criança ansiosa vive como se estivesse diante de um grande perigo", define a psicanalista infantil Ana Olmos. Com ou sem sintomas físicos, como náuseas e dores musculares sentidas por algumas crianças, a ansiedade infantil pode vir acompanhada de dificuldades de relacionamento com os colegas.

      Stress - Um dos desafios, no entanto, é esclarecer o papel do stress no surgimento da ansiedade. Os cientistas ainda não sabem qual dos dois aparece primeiro. O stress tanto surge como fator desencadeante como pode ocorrer depois que o problema está instalado. Mas o resultado no organismo é praticamente o mesmo. Ambos aumentam a produção dos hormônios cortisol, noradrenalina e de crescimento. "Essas substâncias diminuem as defesas do corpo, aumentam o colesterol ruim e podem contribuir para o aparecimento de infecções, tumores e doenças cardíacas", afirma Bernik. Por causa de tanto estrago, a doença ganhou status de prioridade. "Em estágios mais sérios, a ansiedade é considerada um problema de saúde pública", alerta o psiquiatra.



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Dicas para combater problemas emocionais.

      - Reconheça os sintomas.

      - Converse com pessoas que convivem com você sobre o que está acontecendo - Pessoas que sofrem de depressão ou ansiedade mudam de comportamento, que tende a desistabilizar o convívio familiar e social.

      - Faça exercícios: caminhadas moderadas estimulam a liberação de hormônios tranquilizadores.

      - Faça uma lista de metas realísticas e execute-as!

      - Procure identificar os motivos desencadeadores do quadro emocional.

      - Formule um plano de ação para amenizar a intensidade dos fatores motivacionais.

      - Procure ajuda profissional se caso você acredite ser necessário.

      - O psicólogo pode indicar uma avaliação para prescrição de medicação no auxílio do tratamento psicoterápico, em casos mais graves.



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