Eu não concordo com a ideia de que a inteligência artificial emburrece as pessoas. Para mim, o que de fato empobrece o pensamento é a ausência de intenção no uso – é consumir sem critério, sem reflexão, sem direção. A IA, por si só, não reduz a capacidade cognitiva de ninguém. Pelo contrário, ela amplia possibilidades de forma talvez inédita na história.
Eu vejo a IA como uma extensão da mente humana. Ela potencializa aquilo que já existe em nós. Se eu me posiciono de forma passiva, buscando respostas prontas sem questionamento, posso, sim, me tornar mais raso. Mas isso não é culpa da ferramenta – é uma escolha de uso.
Agora, se eu uso a IA como parceira de pensamento, como provocadora, como ferramenta de construção, o que acontece é o oposto: eu expando repertório, ganho velocidade de análise, aprofundo reflexões e consigo ir além do que iria sozinho.
A inteligência artificial abriu um lastro gigantesco de possibilidades. Hoje eu consigo estudar mais rápido, testar ideias com mais agilidade, simular cenários, criar conteúdos, estruturar projetos, aprender novas habilidades e até refinar a forma como eu penso. Ela democratiza acesso ao conhecimento, reduz barreiras e encurta caminhos que antes levariam anos. Isso não é emburrecer — isso é evolução cognitiva assistida.
Ao mesmo tempo, eu não ignoro que toda evolução tecnológica traz novos desafios.
Novos comportamentos surgem, novos padrões de dependência podem aparecer, novas formas de distração também. Isso é natural em qualquer transformação social. Foi assim com a internet, com os smartphones (cels) e com todas as grandes mudanças culturais. A diferença agora é a velocidade e a profundidade desse impacto.
Por isso, a questão central não é “a IA emburrece ou não”, mas sim: como nós estamos nos posicionando diante dela?
Estamos usando para substituir o pensamento ou para expandi-lo?
Estamos delegando tudo ou estamos aprendendo a perguntar melhor, a interpretar melhor, a decidir melhor?
Para mim, a inteligência não está em saber tudo, mas em saber como acessar, conectar e aplicar o conhecimento. E nesse sentido, a IA não diminui a inteligência humana – ela exige uma nova forma de inteligência. Mais crítica, mais estratégica, mais consciente.
No fim, não é a ferramenta que define o resultado. Somos nós.

No Spotify – Inteligencia Artificial por Luciana Nunes
Comentários feitos pela LIA – IA do Psicoinfo, a partir de uma apresentação baseada nos conceitos de Luciana Nunes. Entre em contato para palestras nas escolas e empresas.


